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Rede Povos da Floresta implanta mais oito Pontos de Cultura Indígenas

Autor(es):Gal Rocha

Deborah e as crianças de Pari-Cachoeira no momento da instalação dos computadores

Deborah e as crianças de Pari-Cachoeira no momento da instalação dos computadores
foto:Divulgação  

No momento em que Virgínia Gandres, Alice Fortes e Dominique Aguiar, equipe responsável pela implantação dos Pontos de Cultura Indígenas (PCIs) em comunidades de Rondônia, Roraima e Mato Grosso chegavam ao Rio de Janeiro, Mary Bastos e Deborah Castor já estavam a caminho do estado do Amazonas para realizar o mesmo trabalho em oito pontos: Comunidades de Cucuí, Assunção do Içana, Iauaretê, Pari-Cachoeira, Taracuá, Balaio, Santa Isabel e Barcelos.

No total a Rede Povos da Floresta (RPF) implantará trinta pontos em cinco estados: Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima e Mato Grosso. Esses trinta pontos estão divididos em três pólos para onde diferentes equipes se encaminham. O projeto é uma parceria entre a Associação de Cultura e Meio Ambiente (ACMA), Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e Ministério da Cultura (MinC).

Thomas, Deborah e Mary fazem uma demonstração para a comunidade

Thomas, Deborah e Mary fazem uma demonstração para a comunidade
foto:Divulgação  

Equipe

Da equipe também fez parte o técnico Júlio René, responsável por quase toda a implantação nesses pontos. Júlio, que nasceu em Manaus e vive em São Gabriel da Cachoeira, conhece bem a região, o que ajudou muito nessa difícil etapa do processo. Thomas Schwierskott, que realiza a gravação do vídeo sobre a etapa de implantação, acompanhou Mary e Deborah por vinte dias. Desde os primeiros passos do projeto Thomas tem registrado com sua câmera, diferentes e importantes momentos dessa empreitada.

Placas solares instaladas

Placas solares instaladas
foto:Divulgação  

Mary e Deborah partiram do Rio de Janeiro para a implantação dos pontos no dia 2 de novembro e retornaram no dia 3 dezembro. "Viajamos na lua cheia e voltamos na lua cheia, um ciclo lunar completo", lembra Deborah.

Os primeiros pontos implantados foram os das comunidades de Cucuí - localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Colômbia - e de Assunção do Içana, que fica às margens do Rio Içana, na Escola Kariamã. Essa parte da viagem foi feita por via fluvial, numa canoa batizada de voadeira, embarcação feita de alumínio.

Por causa da forte seca, efeito atribuído ao aquecimento global pela população do estado, a equipe teve dificuldades em se locomover de canoa-voadeira e teve de procurar uma solução mais eficaz e segura para seguir em frente. Em época de cheia, o leito do rio preenche toda a base das pedras e durante a seca, com as águas das famosas corredeiras muito baixas, o perigo de colisão e acidente aumentam. O que quase ocorreu durante a primeira etapa da viagem.

Mary prepara documentos para inauguração

Mary prepara documentos para inauguração
foto:Divulgação  

Desafios e soluções

Depois de pesquisarem uma alternativa em São Gabriel da Cachoeira, cidade que serviu de base entre uma implantação e outra, descobriram que podiam seguir por via aérea para a região conhecida como Triângulo Tucano. Lá foram implantados mais três pontos: comunidades de Iauaretê (considerada a cidade indígena e a comunidade mais desenvolvida da região), Pari-cachoeira (local mais remoto da viagem, cercado por corredeiras) e Taracuá.

Por via terrestre, utilizando uma Toyota, a equipe fez a implantação em Balaio, em Santa Isabel e em Barcelos. Foi muita sorte utilizar carro nessa etapa: o exército tinha acabado de passar o trator na estrada e a viagem pôde ser feita em duas horas. Em determinadas épocas do ano esse mesmo trecho chega a ser feito entre seis e 48 horas, dependendo do estado do solo.

A maior parte das comunidades preparou alguma apresentação para a equipe

A maior parte das comunidades preparou alguma apresentação para a equipe
foto:Divulgação  

Esse momento da viagem foi muito especial para a equipe que pôde adentrar e sentir a floresta de perto e também porque, para chegar ao destino, o veículo teve de passar pela linha do Equador e entrar no Parque Nacional Pico da Neblina.

O grupo permanecia em cada comunidade por cerca de dois dias. No primeiro dia era feita a implantação das placas solares e a instalação dos computadores. Antes da montagem era feita a verificação do local, a conferência e a etiquetagem dos equipamentos e só então era validada a implantação. Num momento mais informal, era aplicado o questionário com perguntas sobre a região, os costumes, a família, a religião etc. Segundo Mary, esse momento é riquíssimo porque possibilita conhecer melhor a realidade de cada povo. No segundo dia acontecia a solenidade de entrega do ponto e a assinatura dos documentos.

Crianças com apitos na cerimônia do Japurutu, espécie de

Crianças com apitos na cerimônia do Japurutu, espécie de "dança da recepção"
foto:Divulgação  

Riqueza e diversidade

A maior parte das comunidades preparou alguma apresentação para a equipe. Existe uma cerimônia comum a quase todas, que é conhecida como Japurutu, uma espécie de "dança da recepção", que é feita com flauta por homens e mulheres, mas também por crianças com apitos. No final eles ainda fazem uma oferenda com artesanatos ou frutas conhecida como Dabucuri.

Somam cerca de vinte e três as etnias presentes nesse território e numa mesma aldeia pode-se encontrar mais de uma etnia e isso se deve à também realização de casamentos inter étnicos. As etnias com as quais a equipe teve mais contato foram Baré, Tukano, Baniwa, Pira-Papuia e Desana.

Todos da equipe sempre se surpreendem com a riqueza e diversidade dos lugares

Todos da equipe sempre se surpreendem com a riqueza e diversidade dos lugares
foto:Divulgação  

Uma particularidade histórica do lugar é a herança das Missões Salesianas que está presente nas instituições de ensino. Uma delas chamou a atenção de Mary e Deborah: a Escola São Miguel, em Iauaretê. Além dos alunos terem acesso à internet, aprenderem xadrez e terem acesso a uma imensa biblioteca, que conta com duas estantes de literatura indígena, ainda aprendem, desde pequenos o cultivo da maniwa (mandioca). Preparam o solo, plantam, colhem e vendem. O dinheiro da venda da maniwa é aplicado em melhorias da própria escola.

Todos concordam que a cada viagem que realizam, não deixam de se surpreender com a riqueza e diversidade dos lugares por onde passam.

Matéria de:2009/dez/5 - Autor:Gal Rocha - Palavras-chave:Rede Povos da Floresta implanta mais oito Pontos de Cultura Indígenas

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