
Acordo final não tem metas de redução de gases causadores do efeito estufa
foto:Getty Images  
Chegou ao fim na última sexta-feira, dia 18 de dezembro, a 15° Conferência sobre Mudança do Clima (COP15), realizada na cidade de Copenhague, na Dinamarca.
Durante onze dias representantes de 192 países estiveram presentes para negociar um acordo de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelas alterações do clima global.
De um modo geral, as opiniões são de que a conferência fracassou no seu objetivo. Segundo o Wall Street Journal, o entendimento obtido na capital dinamarquesa foi uma "carta morta".
Já Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), comemorou a aprovação de um acordo de "efeito operacional imediato". Mas reconheceu que isso foi "só o começo" na tentativa de firmar um acordo com metas para cortes nas emissões de CO2.
Esse acordo que foi aprovado por cerca de 30 países, incluindo o Brasil e os dois países que mais poluem o planeta, Estados Unidos e China. Porém não houve aprovação unânime na plenária e durante a madrugada os líderes da Venezuela, Bolívia, Cuba, Tuvalu e Sudão protestaram.
Lars Lokke Rasmussen, primeiro-ministro dinamarquês e presidente da Conferência, consultou advogados para encontrar uma saída. O meio encontrado foi a "tomada de nota", que significa que "há status legal suficiente para que o acordo seja funcional, sem que seja necessária a aprovação pelas partes", de acordo com Alden Meyer, diretor da ONG Union of Concerned Scientists (União dos Cientistas Preocupados, em inglês).
O acordo está muito aquém das expectativas em torno da maior reunião sobre mudança climática da história e não fixa objetivos de redução de gases. Mas estabelece a doação de um total de US$ 10 bilhões, entre 2010 e 2012, para os países mais vulneráveis enfrentarem os efeitos da mudança climática, e US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para alívio e adaptação.
Para João Augusto Fortes, da Rede Povos da Floresta, que esteve em Copenhague participando de eventos paralelos à conferência, o mais importante foi o encontro em si e a mobilização que um evento desse porte acaba gerando por chamar atenção para a urgência das questões climáticas.
Ele acredita que, independentemente dos acordos obtidos entre os governos, sobre os quais não temos controle, deve haver uma mudança de ética da humanidade. Cada um deve pensar a respeito dos seus hábitos de consumo e modificar sua relação com os recursos do planeta.
João acompanhou e registrou o encontro de Benki Piyãko Ashaninka, do Centro Yorenka Ãtame, e Moisés Piyãnko Ashaninka, da Associação Apiwtxa com outros líderes espirituais do mundo que sereuniram na COP15.
Fontes: Folha Online
Estadão