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Implantação de Pontos de Cultura Indígenas nas aldeias São Vicente, Mutum e Nova Esperança

Autor(es):Gal Rocha

Dominique Aguiar durante demonstração na aldeia Nova Esperança

Dominique Aguiar durante demonstração na aldeia Nova Esperança
foto:Divulgação  

Para implantar mais três Pontos de Cultura Indígenas (PCIs), Dominique Aguiar, assessora de campo, levou a experiência adquirida nas implantações realizadas no mês de outubro, ao lado de Virgínia Gandres, coordenadora de campo, e Alice Fortes, fotógrafa, nos estados de Rondônia, Roraima e Mato Grosso.

Dessa vez, porém, Dominique viajou sozinha para o estado do Acre e foi responsável pela implantação na aldeia São Vicente, do povo indígena kaxinawá, localizada no Rio Humaitá, e nas aldeias Mutum e Nova Esperança, ambas da etnia Yawanawá, localizadas no Rio Gregório.

Preparativos para a implantação da placa solar na aldeia São Vicente

Preparativos para a implantação da placa solar na aldeia São Vicente
foto:Dominique Aguiar  

Entre os dias 24 de novembro e 3 de dezembro, Dominique, Edmar Freire, técnico de informática, Nilson Sabóia, liderança indígena, entre outros, estiveram envolvidos com o processo de implantação das placas solares e instalação dos três computadores em cada um dos três pontos.

No total, a Rede Povos da Floresta (RPF) é responsável pela implantação de 30 pontos em cinco estados - Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima e Mato Grosso. Os 30 pontos estão divididos em três pólos e as três aldeias citadas acima pertencem ao pólo dois. O projeto é uma parceria entre a Associação de Cultura e Meio Ambiente (ACMA), Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e Ministério da Cultura (MinC).

Equipe durante a viagem que durou cinco dias - distâncias calculadas por curvas do rio

Equipe durante a viagem que durou cinco dias - distâncias calculadas por curvas do rio
foto:Divulgação  

Para chegar à primeira aldeia, a equipe composta de aproximadamente dez pessoas partiu de Rio Branco para a cidade de Tarauacá - conhecida como terra do abacaxi grande - e de lá enfrentou uma viagem de barco que durou cinco dias.

Primeiro a embarcação seguiu pelo Rio Tarauacá, depois entrou no Rio Murú, por onde navegou por três dias e só então chegou ao Rio Humaitá. Dominique aprendeu durante a viagem de barco que as distâncias e o tempo para percorrê-las são calculados de forma inusitada ali. "Alguém dizia, 'faltam cinco curvas para chegar', e não horas", conta.

Depois da implantação das placas e instalação dos computadores, a assinatura dos documentos

Depois da implantação das placas e instalação dos computadores, a assinatura dos documentos
foto:Dominique Aguiar  

Ao chegarem à aldeia São Vicente, Dominique e a equipe foram imediatamente convidados a participar de uma cerimônia na cupixawa, espécie de maloca grande onde são feitos os rituais. A comunidade foi bastante receptiva e demonstrou muito interesse na implantação do ponto.

O espaço destinado ao ponto de cultura precisava de alguns retoques e toda a comunidade se prontificou a colaborar com a pequena reforma para a adequação do local. "Queriam ver, aprender, ajudar', diz Dominique.

A comunicação nessas localidades é quase inexistente. Em apenas duas aldeias Dominique encontrou alguma forma de manter contato com o escritório da RPF, no Rio de Janeiro, ainda assim de forma bastante precária.

Ponto de Cultura da aldeia Mutum

Ponto de Cultura da aldeia Mutum
foto:Dominique Aguiar  

Na aldeia Vigilante, a comunidade possui rádios e na aldeia São Vicente um telefone público que nem sempre funciona. Por isso a implantação dos pontos representa uma conquista importante para os habitantes, que vivem em áreas tão remotas. A implantação dos pontos possibilitará em breve o monitoramento da região contra invasões e beneficiará as comunidades no entorno, além de registrar a cultura material e imaterial de cada povo.

Depois de implantarem o ponto na aldeia São Vivente, continuaram a viagem. A implantação seguinte foi em Mutum e por último em Nova Esperança. Em Mutum, Dominique exibiu um vídeo feito ali pelo programa Fantástico, da Rede Globo, em 2003, que tinha como tema "a aldeia global". As pessoas se emocionaram bastante, até então não tinham visto a matéria. Reconheceram nas imagens exibidas parentes e amigos.

Os PCIs possibilitarão o registro da cultura material e imaterial de cada povo

Os PCIs possibilitarão o registro da cultura material e imaterial de cada povo
foto:Dominique Aguiar  

Em Nova Esperança encontraram o ponto estruturado e as pessoas também colaboraram bastante com a equipe durante a instalação dos equipamentos. Em todas as comunidades foi ressaltada a importância do comitê gestor na manutenção dos equipamentos e na continuidade do trabalho.

Dificuldades e contratempos superados, Dominique acredita que vale a pena acolher os desafios que aparecem no caminho, sem colocar resistências. Segundo ela, em lugares tão distantes, ao lado de pessoas que tem uma forma diferente de viver, o melhor é aprender, interagir e vivenciar cada minuto num outro ritmo - no ritmo das pessoas do lugar.

Matéria de:2009/dez/19 - Autor:Gal Rocha - Palavras-chave:Implantação nas aldeias São Vicente, Mutum e Nova Esperança

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