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Aliança dos Povos da Floresta
A Aliança dos Povos da Floresta foi criada por Chico Mendes e outras lideranças

A Aliança dos Povos da Floresta foi criada por Chico Mendes e outras lideranças
foto:Arquivo  

Criada por Chico Mendes e outras lideranças como Aílton Krenak, Dona Raimunda, Pedro Ramos, Txai Macêdo, Chico Ginú, David Yanomami, Txai Lopes Ashaninka e Raimundão, em meados da década de 80, a Aliança dos Povos da Floresta foi fundada para unir os principais movimentos sociais da Amazônia em sua luta pelo desenvolvimento sustentável da região. E principalmente para unir Ìndios e seringueiros, que até então eram incitados pelos seringalistas a se perseguirem nas chamadas "Correrias".

Em 1987, o então coordenador da UNI, Ailton Krenak, o primeiro presidente do CNS, Jaime da Silva Araújo, e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, Chico Mendes, realizaram um evento em São Paulo para discutir a proposta da criação da Aliança dos Povos da Floresta, enfocando os paralelos entre suas experiências e lutas e a importância de construir uma aliança efetiva.

A força da Aliança permitiu que os povos da floresta influenciassem ativamente a adoção de políticas púbicas

A força da Aliança permitiu que os povos da floresta influenciassem ativamente a adoção de políticas púbicas
foto:João R. Ripper  

O I Encontro dos Povos da Floresta foi realizado juntamente com o II Encontro Nacional de Seringueiros, em Rio Branco, em março de 1989. Estavam presentes 187 delegados seringueiros e indígenas do Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Rondônia.

A Aliança foi formalizada na ocasião e suas principais reivindicações eram o reconhecimento oficial e a defesa das terras dessas populações, bem como a implementação de políticas que garantissem sua sobrevivência e sua cultura.

O movimento deu apoio a dezenas de colaborações entre índios e seringueiros em conflitos com grileiros e madeireiros no Acre, também iniciou e liderou a mobilização que resultou na criação do Grupo de Trabalho da Amazônia, que hoje conta com 623 organizações em todos os estados da região.

Encontro de Altamira reuniu 3 mil pessoas - 650 índios - foi considerado um marco do socioambientalismo no Brasil

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foto:Paulo Jares  

Na ocasião da Eco-92 - a conferência internacional sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável realizada pela ONU, no Rio de Janeiro, em 1992 - os integrantes da Aliança deram importantes depoimentos para a Comissão Bruntland das Nações Unidas, que subsidiariam a organização. A atuação da Aliança foi marcada por mobilizações e encontros realizados no Forum Global, o forum paralelo criado pelas iniciativas da sociedade civil.

Se antes do surgimento da Aliança, os povos indígenas e demais povos tradicionais eram vistos apenas como parte do folclore nacional, depois de muitas lutas travadas, essa realidade se transformou. O folclore, que é o verniz cultural, foi substituído pelo reconhecimento das culturas tradicionais.

A força da Aliança permitiu que os povos da floresta influenciassem ativamente a adoção de políticas púbicas como a demarcação de Terras Indígenas e a criação das Reservas Extrativistas, além de garantir a inclusão, na Constituição Federal, de parágrafos que garantem os direitos dos indígenas e demais povos tradicionais.

Foi a Aliança dos Povos da Floresta que uniu os ideais de uma reforma agrária ampla e da conservação ambiental. Para isso era preciso não apenas garantir o direito à terra das populações indígenas e dos seringueiros, mas também os recursos naturais em que estavam baseados o seu modo de vida tradicional.

Matéria de:2008/out/8 - Autor:RPF - Palavras-chave:

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